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quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Titãs - Insensível (DVD Volume 2 Ao Vivo)

Devido a também existência do complexo sintoma da "insatisfação crônica", pode surgir também a questão de uma pessoa acabar precisando, mesmo sem desejar, praticar e aceitar conter em si um defeito (a ex. da insensibilidade). Isso por conta da pessoa, no relacionamento, não conseguir enxergar e aceitar resolver o próprio defeito: "insatisfação crônica". Ou seja, nada no mundo é capaz de satisfazer criaturas humanas que possuem a necessidade de serem amantes da insatisfação. E uma forma que também parece comum encontrada por tais pessoas para salvarem o seu intenso e oculto caso de amor com a insatisfação é conseguindo que as pessoas com quem elas se relacionam aceitem assumir o papel de insensíveis. "Insensível, insensível você diz, IMPOSSÍVEL fazer você feliz", Titãs.

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Síndrome de Burnout

O que não é possível ver concretamente, facilmente o cérebro pode ignorar, discriminar, criar um pré-conceito. Ou seja, o cérebro pode facilmente recorrer a alguma defesa quanto ao que não consegue visualizar, compreender. Faz parte da vida!

Em se tratando de conflitos psicoemocionais, em que realmente não é possível para quem está sentindo a complexidade dentro de si materializá-la para que possa ser visualizado e compreendido, a coisa pode ganhar uma complicação gigante e até mesmo, em vários casos, surgir questões desnecessárias. As questões desnecessárias podem surgir porque para muitos conflitos psicoemocionais da turbulenta atualidade existem soluções, apesar do momento complexo fazer parecer que não. Então, basta cuidar previamente, devidamente, ter um pouco de paciência, que a questão, mesmo complexa, vai solucionar.  

Pois bem: como aqui vamos refletir sobre a Síndrome do Burnout (um conflito psicoemocional de nível gravíssimo), podemos iniciar perguntando: Quem é o Burnout? O Burnout recebeu o seu nome em inglês. Podemos observar que “burn” significa queimar e “out” significa terminar. Dessa forma, o Burnout é uma coisa dentro da criatura humana que consegue “terminar de queimar”, ou “queimar tudo”. Aí vem outra curiosidade: O que o Burnout, traduzido para o português, termina de queimar? Bem, simplesmente, o Burnout não deixa absolutamente nada para a pessoa poder se autoajudar. É queima total!

O que é encontrado na clínica em relação ao Burnout? Inicialmente, em relação a minha experiência profissional, fica em evidência que o Burnout está relacionado ao trabalho que a pessoa realiza o qual parece ser tido como um encontro com o “amor perfeito”, e é um grande vilão contra pessoas fortes. Sabe aquela pessoa que comumente é considerada por todos como sendo forte? Pois é: O Burnout compromete o tipo de pessoa que geralmente o primeiro adjetivo que lhes é dado é de serem fortes. Agora, como pode existir uma coisa que consegue comprometer seriamente, ou no seu ápice derrubar literalmente, uma pessoa forte?

O Burnout é complexo! É silencioso! O seu processo ocorre de forma escalonada, com etapas de desenvolvimentos, com forças diferentes. Isso pode ocorrer ao longo dos anos, ou de alguns anos dependendo da pessoa. A pessoa passa por estafas, estresses, ansiedades, fica sob cansaço contínuo (fadiga), o cansaço sempre está presente de alguma forma. A pessoa passa por processos depressivos sem paralisar. Ou seja, questões que lhe são intimamente delicadas, conflituosas, não as paralisa, não as afasta do trabalho - do seu “amor perfeito”. As pessoas consideradas fortes revelam a qualidade de resistirem, resistirem, resistirem, a tudo de complicadinho que existe e aparece em suas vidas. Ao longo do caminho, essas pessoas não param e nem são paradas, pois existe nelas uma obrigação de continuar, continuar, continuar e, óbvio, mantendo sempre a cobrança de perfeição para viver com o seu “amor perfeito”: o trabalho.

Como o Burnout parece atuar nessas pessoas? A impressão é que o Burnout vai sugando, minando, esgotando... absolutamente tudo que encontra como energia dentro da pessoa. Parece ocorrer um processo de implosão “dentro da pessoa”; ela vai se estourando por dentro. O peso emocional disso é insuportável! Eis que surge um fenômeno terrível.  A pessoa parece entrar dentro de uma bolha que produz um desligamento afetivo. Ou seja, ocorre um embotamento afetivo. Ela sabe que ama pessoas, que gosta de pessoas, que admira pessoas, que tem pessoas que lhe são importantes, mas não consegue alcançar mais o desejo para estar com tais pessoas, para viver uma rotina com tais pessoas. Isso faz com que ela passe a se cobrar mais ainda, pois tem a consciência de que possui sentimentos, mas não consegue sentir, não consegue se unir ao outro. O desligamento do afetivo, o rompimento com vínculos afetivos, fazendo com que a pessoa não consiga ser mais sensível a nada, a ninguém, parece surgir como um “mecanismo de defesa”. Isso pelo motivo de que se a pessoa sentir ela pode estourar, ela pode explodir. Após suportar muita coisa difícil ao longo do caminho, sempre salvaguardando o seu “amor perfeito”: o trabalho, eis que o Burnout (como Dalila conseguiu fazer com Sansão) consegue lhe tirar também a força pra trabalhar. Queima a sua última energia.  Pois é: ao longo do caminho, a pessoa vai suportando tudo: estafas, estresses, cansaços (fadigas), tristezas, insônias, ansiedades, frustrações, pânicos, até ruir completamente por conta da maldita exaustão em um nível descomunal para ser suportada por uma criatura humana. A pessoa vai se desligando afetivamente de tudo: família, amizades, lazeres, até que o Burnout a obriga também a parar o que lutou exaustivamente para manter: o trabalho.

O Burnout, com o seu terrível poder de “terminar de queimar”, impõe a paralisação. Eu, particularmente, pela questão do Burnout conseguir derrubar pessoas incomuns, fortes, inteligentíssimas, acabo materializando-o, para facilitar bem a compreensão, na revelação da história em que Dalila conseguiu o grande feito de paralisar a privilegiadíssima potência em Sansão. Só que as pessoas que o Burnout consegue comprometer: incomuns, fortes, inteligentíssimas, não perdem a sua essência, a sua potência, as suas qualidades. Um descanso correto, um tratamento bom e eficaz, recupera o que a pessoa necessita para retornar para a sua experiência de vida potencialmente ativa.

Eu escolhi escrever sobre o Burnout de uma forma “simples”, apesar desse conflito psicoemocional possuir complexidades, pela questão da importância de considerarmos que a experiência de vida sob a “sociedade moderna”, sob a “sociedade da aparência”, pode comprometer o valor de virtudes necessárias: compreensão, respeito, confiança, aceitação das realidades da vida, privilégio também da verdade objetiva. A consideração em relação ao valor das virtudes tende a colaborar bastante contra o risco de se fazer interpretações equivocadas através da ignorância, do descaso, do pré-conceito, da discriminação, da alucinação, de lançar a experiência de vida apenas sob a verdade subjetiva, ou seja, se não sente a coisa, se não está vendo a coisa materializada, não acredita que ela realmente existe. Isso promove a desconfiança, o medo, entre outros sentimentos complicadíssimos de elaborar que podem facilmente gerar prejuízos e/ou perdas desnecessárias.

Por fim, é muito importante também o cuidado de não fazer uma salada de frutas de tudo que existe olhando apenas para a mistura como se essa fosse uma coisa só. Conflitos psicoemocionais e transtornos mentais possuem realidades diferentes, como conflitos psicoemocionais possuem realidades diferentes, como transtornos mentais possuem realidades diferentes. É necessário identificar e conhecer o que, de fato, está comprometendo o psiquismo da criatura humana que é única, para realizar um tratamento correto e obter um resultado eficaz. Pois, é possível solucionar também conflitos psicoemocionais, recuperar a normalidade da vida, entre eles, ainda bem, até o Burnout é possível resolver, afinal de contas, a ciência nos contempla com o seu excelente caráter de conhecimentos objetivos. ;)

Sandra Valeriote - psicanalista

*O tratamento do Burnout, necessariamente, precisa da avaliação e do acompanhamento de um médico psiquiatra. 


sexta-feira, 27 de março de 2020

O coronavírus na cultura brasileira do 8 ou 80 *-* Pequena reflexão, contribuição

Há uns bons anos atrás, eu, perante o meu próprio radicalismo tido por virtude (como é próprio dos imaturos), escutei de um professor, já idoso e por isso experiente, a seguinte frase: “Oito ou oitenta é bobagem! O ideal é o quarenta”. 
Tenho seguido com grande interesse e perplexidade a polarização da classe política neste momento tão crítico do Brasil, polarização esta que se vai estendendo, tal como uma doença louca (para não dizer burra) pelos grupos de whatsapp e toda a sociedade brasileira. Bem, a situação já está aí: a politização da pandemia por essa nossa classe política sórdida, pervertida, oportunista. Ora, não há uma situação sequer, que eles não aproveitem para o lobby pessoal e a guerra eleitoral e a fama interesseiras, enquanto a maioria dos brasileiros se tornam marionetes inconscientes neste cenário grotesco, “jurando por Deus” que estão sóbrios e conscientes do que se passa nos bastidores do poder. 
Vamos ao “oitenta”? “Tranquemos TODA a população em casa! Paremos tudo!” Já se diz que o auge da pandemia no Brasil será entre abril e maio. Bem, temos ainda, se formos felizes, longos 2 meses pela frente! Tudo parado: meus irmãos, meus primos, minha empresa, meus negócios, aquele vizinho dono do restaurante da esquina, aquela loja de roupa, aquela indústria... Ah! E por aí vai. É isso que se deve fazer: proteger a vida agora. Bela intenção. De verdade! Quem ousaria ir contra isso? Ora, o valor da vida é inestimável. No entanto, há outras coisas a serem analisadas. Pergunto: e depois de mais dois ou três meses com um país parado? Como será? Caos na economia? Com o que os pequenos e micro empresários pagarão seus funcionários? Venderão sua casa própria? Ou o governo arcará com tudo? Como? Se ele pegou um país falido, pois foi roubado até a última gota do “leite materno” de suas tetas farturentas? Como o país, essa máquina imensa, vai girar? Bem, é claro que a culpa será do presidente, porque ele não foi capaz de gerir a situação da pandemia, ainda que o Brasil esteja nadando em dinheiro. Estou sendo irônica, é claro! Talvez você diga: “Não estou nem aí para quem vai falir, pois isso não tem nada a ver comigo”. Verdade? Você é parte de um todo.
Agora, vamos ao “oito”? “Voltemos ao trabalho e deixemos que cada pessoa adquira imunidade ao vírus, pois com o tempo, quando cerca de 60 ou 70% da população já tiver pego a doença, isso passa”. Talvez você diga: “Não estou nem aí para quem morre”. Verdade? Você é parte de um todo.
Só um imbecil não percebeu que o presidente – ainda que fale de modo radical, como lhe é próprio – não disse isso nem aquilo, nem oito nem oitenta. Ele disse para protegermos TODOS aqueles que fazem parte do grupo de risco. Mas, fica o problema da “gripezinha”. O engraçado é que tenho uma amiga que foi diagnosticada, no Eisntein, como portadora do Corona vírus. Caso confirmado, ela ficou em casa, em quarentena, o que deve ser feito. Só teve um pouco de dor no corpo e leve tosse. Passou em 3 dias. Mas, não podemos chamar isso de “gripezinha”. Ou melhor, podemos. Só o presidente que não, pois ele está minimizando a pandemia. 
Corremos sérios riscos: disso tudo se espalhar, de crescer os casos da doença, de mais pessoas morrerem. Então, quarentena! Por quantas semanas forem necessárias. Depois a gente dá um jeito nos milhares de empresários falidos, nos milhões de desempregados, nos milhões que ficarão na miséria, dos inúmeros depressivos, nos vandalismos nos supermercados e lojas, no aumento horripilante de assaltos e roubos, certamente com assassinatos. Mas, tudo bem! O brasileiro já se acostumou às centenas de assassinatos semanais. Nem ligamos quando isso vira estatística. 
Temos a turma do oito: “Tudo fechado? Bolsonaro irá quebrar o Brasil!”. Temos a turma do oitenta: “Tudo aberto? Bolsonaro irá matar o Brasil!”. E ele não disse nem isso nem aquilo. Mas, nossas tvs, particularmente aquela que defende “levar ao público um jornalismo que preza pela verdade” – uma ova! – espalha suas ideologias baratas, pois teve ela mesma de soltar uma das maiores tetas onde mamou por anos.
 A complexidade da situação evoca inúmeros pontos de vistas diferentes, o pandêmico e o econômico, e aí está o grande problema: não fragmentar a realidade, não picotá-la, não rachá-la pelo radicalismo irrefletido, pois é no presente que semeamos o futuro: todo o futuro, não apenas parte dele. Como será esse futuro? Retomo a fala do meu antigo professor: “Oito ou oitenta é bobagem! O ideal é o quarenta”. Para que haja o 40, é necessário ter a capacidade de sentar e dialogar, a classe científica e a equipe econômica, os profissionais da saúde e os da economia. Mas, como? Se a nossa classe política é a eterna interesseira, oportunista, egoísta? Será que não temos inteligência suficiente para chegarmos ao ponto de equilíbrio, o quarenta? Penso que sim. Não sei os interesses escusos e obscuros permitem essa luz do diálogo inteligente.
Para encerrar, afirmando que eu nunca fui fanática por política e partidarismos, mas consigo não me esquecer da lava jato mesmo em meio ao Corona Vírus, dirijo-me ao Sr. Presidente da República: “Caro Sr. Presidente, seja corajoso e não se decepcione alimentando ilusões, mas se prepare para os ataques das mentes fragmentadas. Se houver muitas mortes, a culpa será sua. Se houver crise econômica como nunca antes vista, a culpa também será sua. Não se importe, e continue o seu trabalho, em consciência. Afinal de contas, a classe política ajudou, e muito, ao longo de muitos anos, a formar uma sociedade brasileira esquizofrênica – ou seja, dividida – sempre imatura entre o oito ou o oitenta.
Sandra Valeriote

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Bryan Adams - Have You Ever Really Loved A Woman?



Quando uma máscara é vista, por menor que ela seja, a ideia é clara de que há algo que precisa ser revelado. Nessa sociedade da transparência, a nudez antecipada facilmente engana.
Sandra Valeriote

terça-feira, 23 de abril de 2019

O aumento da violência no Brasil - reflexão


De forma expressivamente comum, a bebida alcoolica, medicamentos controlados, drogas, estão sempre presentes nas matérias de violências, assassinatos. Por que matou? Tinha bebido. Por que atacou? Toma remédio controlado. Por que estuprou? Estava drogado. Como estava quando foi estuprado(a)? Embriago(a) e/ou drogado(a).  
Pois bem! A não ser que haja interesse, necessidade, não é comum no ser humano a busca por conhecimento. Dessa forma, se faz necessário que o Estado também realize trabalhos de alerta – impondo o conhecimento. Eis a questão: há anos, há muitos anos, a única informação que vem sendo possível encontrar no sentido de alertar a sociedade contra o risco do cérebro ser seriamente afetado por elementos químicos, podendo levar a pessoa a causar uma desgraça (até mesmo irreparável), é: se beber não dirija. Em outras palavras, não há alerta sobre a possibilidade da bebida alcoolica, medicamentos controlados, drogas, deixar o ser humano sob a orientação apenas do instinto. E quem é o instinto?
Então, parece que diferentemente de uma guerra em que há a lucidez que ocorrerá uma tragédia humana: pelo objetivo de espoliar, de destruir algum mal, nesse caso específico, do consumo de elementos químicos, o que ocorre é o ser humano podendo perder totalmente a lucidez (consciência). Dessa forma, orientados pelo instinto, podem também matar, estuprar, se matar. Bem, como não é possível revelar o que há na genética de cada um, cada vez mais os terríveis casos de violências, assassinatos, tem tornado possível perceber que o instinto humano é um mistério que continua na necessidade de ser levado muito a sério.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Conservador x Progressista.

Parece importante para os jovens, que estão decidindo pela ideia do título de progressistas para existirem como oposição a governo que se revela conservador, refletirem o que ficou sob evidência: os conversadores evidenciando que souberam lidar com o progresso, enquanto os que pregaram a ideia de serem progressistas evidenciando que só souberam falar do progresso. Em se tratando do falar, como bem diz o ditado, até papagaio fala.
Sandra Valeriote

domingo, 17 de março de 2019

Lula, Bolsonaro, mudanças sociais.


Relato aqui uma parte, entre outras, do que eu vi acontecendo no movimento político do final da década de 80 até a atualidade, envolvendo figuras de grande expressão política. 


Final da década de 80. 

O PT havia conquistado um número vantajoso de filiados da sociedade civil para o partido. Parecia moda o broche da estrelinha do PT pregado na roupa de cidadãos comuns. Mas, a moda da estrelinha do PT sendo usada por cidadãos comuns era uma pequena vantagem comparada a outra, que se deu na esfera do poder. O partido do PT já se destacava também com um número expressivamente vantajoso de políticos eleitos em todas as esferas: municipal, estadual, federal. Ou seja, havia político do PT eleito em tudo quanto era canto desse país, trabalhando em redutos eleitorais. Os redutos eram bem administrados por figuras políticas ou cidadãos locais com bom nível de influência. Todos tinham como principal característica a lealdade ao partido. 

Então, nesse período já era evidente que o partido também desejava conquistar o poder maior: a presidência da República. Para essa conquista, todo investimento foi no Lula. Ora, em se tratando da cúpula do PT, com José Dirceu, Genoino, Dilma, e outros, parece que a biografia do Lula era menos complicada para maquiar. Pois bem! O partido do PT já tinha um bom número de cidadãos civis filiados, número expressivamente elevado de políticos eleitos, alianças com partidos importantes acontecendo. Mas, eis uma questão que parecia ser um calo no pé do partido muito difícil de resolver: o Lula, sendo a única figura com possibilidade para ser o candidato que poderia conquistar a presidência da República, evidenciava grande talento para desempenhar o papel de líder sindical. Era um talento que encantava sindicalistas, e abocanhava uma parte da sociedade jamais suficiente para conquistar a vitória. Os discursos dele revelavam agressividade, evidências de que não tinha habilidade para diálogos, que não estava nem aí se precisasse derrubar tudo pela frente. No mais, do ponto de vista da estética, o Lula aparecia vestido informalmente, com uma barba que parecia não ter cuidados higiênicos. Eram questões que podiam não interferir para uma eleição de presidente de sindicato, vereador ou deputado, mas para presidente da República a realidade era outra, que evidentemente não combinava com os discursos e a aparência que ele apresentava. Pois bem! Eis que surge um momento mágico. Pode acreditar! Não foi apenas no conto da Cinderela que existiu uma varinha mágica; no conto do Lula também aconteceu:  com a "varinha mágica do marketing", eis que o Lula apareceu para a disputa da eleição em 2002, não mais como um sapo barbudo que parecia que ia engolir tudo e todos. O Lula tinha se transformado num príncipe encantador: todo bem arrumadinho, falando de forma correta, com muita calma, um sorriso de galã de novela; até a barba dele parecia ter recebido tratamento de hidratação. É isso! Sob um passe de mágica (marketing), o Lula agressivo se transformou no Lulinha paz e amor: encantou e ganhou.

Numa democracia, o povo (a maioria) não consegue eleger um presidente que simboliza o oposto da experiência de vida real. Dentre as proeminentes características que podem ser destacadas como existentes na sociedade, no período em que o Lula concorria à presidência da República, aparecia como realidade no Brasil a alegria, a simpatia, a gentileza, a compaixão, a expectativa do desenvolvimento (esperança), a paz. Em outras palavras, o que era oposto ao povo aparecia evidentemente no Lula. Quando ele conseguiu teatralizar exatamente a realidade que o povo conhecia, foi aceito e eleito. Podemos dizer que a aceitação partiu de uma sensação coletiva de segurança e confiança de que aquela realidade estaria sendo preservada. Não precisava desconstruir nada, bastava preservar o que existia e seguir com a excelente condição financeira para realizar grandes conquistas... Pois é! O Lula conseguiu deixar em evidência que havia se transformado, que também tinha entrado no caminho conhecido por todos... Mas, não era a verdade. Sinceramente, se fosse coisa de cinema, o marqueteiro Duda Mendonça e o Lula, sem sombra de dúvida, destacariam-se no ganho de premiações. Quem sabe as gerações futuras não verão esse ganho por parte dos atores que conquistarem o papel para interpretá-los! 

Bem, para nossa geração, o que existe é a experiência com a realidade atual. E, atualmente, todos já sabem que a mágica não perpetuou... Mas, convenhamos, é essa a realidade da mágica. Mágica é só mágica! O príncipe Lula não podia durar para sempre... Mas é preciso evidenciar que os caminhos conhecidos oferecem conforto, segurança. Acontece que no decorrer do governo do PT, também a sociedade brasileira foi sendo desviada dos seus caminhos conhecidos. E não parece justo apontar que esse desvio foi da responsabilidade apenas do PT-Lula. A questão é que parece que a cúpula do PT ficou totalmente focada em “um” ideal, e por esse ideal teve a necessidade de se deslocar para o lugar da discrição. Pois é!  A impressão é que o PT, precisando ser visto pelo povo apenas a cada 4 anos, acabou deixando espaço para existir um governo paralelo. Dessa forma, com o partido vivendo na sombra, há anos a sociedade civil vinha identificando como governo os principais meios de comunicação – um governo formado pela mídia. Há anos, esse governo (mídia) vinha passando por cima da cultura brasileira, dos valores conhecidos pelos brasileiros, numa evidente tentativa de formar aqui um outro povo, sabe-se lá copiado de onde. Pode ser dos EUA ou da França; do Afeganistão pode ter certeza que nada foi copiado. Então, temas conflituosos em outros países, que não existiam no Brasil, passaram a ser tratados no país como realidade também do povo brasileiro. Por acaso, no Brasil, há registros de grupos atuantes semelhantes ao Ku Klux Klan?


Então, como a liderança política do PT precisou ficar na sombra, realizando suas grandiosas jogadas de corrupção para servir ao comunismo, não deixando de agradar o socialismo (outra situação que parece servir para um filme: comunismo com socialismo vivendo uma linda história de amor no Brasil. Talvez, no futuro também podem fazer um filme dessa linda história de amor que parece ter superado a de Romeu e Julieta, do Shakespeare. Como tema musical, Endless Love, do Lionel Richie e Diana Ross, será perfeito. Ah! Para esse filme os atores principais precisarão interpretar o Lula e FHC), quem se destacou como governo, para o povo, foram os principais meios de comunicação. Há anos, aparece nitidamente destacado o repúdio do povo brasileiro contra os principais meios de comunicação. Um repúdio ignorado. Para entender melhor, eis um exemplo para servir como comparativo: Um indivíduo tem uma fábrica de sapatos. Surge um crescimento expressivo de consumidores se queixando dos produtos. O que o fabricante faz? Ignora as queixas e continua com a fabricação no mesmo jeito. Não aceita ceder, não considera o excesso de queixas. Bem, com essa decisão do fabricante é muito fácil saber qual será o final da sua fábrica... Pois é! O público [consumidor] dos principais meios de comunicação vem, durante anos, excessivamente apresentando queixas, e a fabricação dos conteúdos jamais deixou de ser a mesma.


Período atual

A situação se inverteu. O que havia no Lula, quando ele tentava se eleger para presidente da República (antes na varinha mágica (marketing)), passou a existir no povo. As características mudaram. Atualmente, entre as proeminentes características possíveis de observar no povo brasileiro estão a grosseria, a antipatia, a maldade, a desarmonia, a agressividade.

O presidente Bolsonaro não surgiu do nada e gerou um conflito social, aliado a uma força tarefa para haver retrocesso. O conflito social, que esteve aparentemente nítido durante anos, fez surgir o Bolsonaro. O povo vem brigando com a mídia há anos – esse povo nem fazia ideia da existência do Bolsonaro. A impressão é que as queixas do povo iam em direção ao nada e ficavam guardadas no lugar nenhum. 


No período da eleição, com as principais lideranças políticas, juntamente com os principais meios de comunicação, evidenciando não estarem entendendo o que estava acontecendo no Brasil, em relação a ascensão do Bolsonaro, muitas vezes, para mim, era difícil acreditar que eles realmente não estivessem entendendo. Era difícil, pois, acreditar que realmente não estivessem entendendo confirmava que eles estiveram durante anos vivendo em outro mundo que não o Brasil. Realmente, as queixas do povo foram ignoradas pelos que estavam governando. E, sinceramente, a voz do povo ignorada [durante anos] ecoou alta na voz do candidato que foi “democraticamente” eleito para presidente da República, Jair Messias Bolsonaro. 

Nos discursos do Bolsonaro havia a simplicidade de apenas repetir as queixas que o povo fazia durante anos. Não teve mistério algum para os que estavam vendo a realidade do Brasil! O Bolsonaro não era isso, aquilo, ou aquilo outro de ruim que afirmavam para tentar derrubá-lo da ascensão, ele foi simplesmente a voz do povo falando em alto e bom som. E falando uma realidade que esteve durante anos sob a luz do sol.


Pois é! Ao contrário do Lula - que para ganhar a eleição precisou desconstruir os discursos agressivos e maquiar sua essência, evidenciando que a maioria do povo se identificava com a paz - o Bolsonaro só ganhou a eleição por conta de construir discursos agressivos, nesse caso, evidenciando que, atualmente, o povo está vivendo sérios conflitos emocionais.   


No momento atual, o ataque que se vê contra o presidente Bolsonaro se torna um ataque que vai direto contra o povo que foi ignorado durante anos. Um povo que evidencia estar absurdamente carente da sua essência, natureza, angustiado pela falta do direito de viver a sua própria realidade humana, cultural. Um povo que teve orgulho de ter como herói nacional o Pelé, sem jamais apontar para a cor de pele. Uma povo que teve uma geração expressiva de jovens que curtia as músicas do Cazuza, que sofreu pela situação que ele precisou enfrentar, sem jamais apontar dedo para questão de sexualidade. Um povo que aplaudia a força, coragem e inteligência da Tieta do Agreste (novela, Tieta), da viúva Porcina (novela, Roque Santeiro), que torcia por elas, independente do que faziam ou não, evidenciando claramente não ter a mulher como ser inferior, proibidas de viver a vida como quisessem. Um povo que delirava com a bandeira do Brasil que o corredor da fórmula 1, Ayrton Senna, colocava para fora do carro a cada vitória. Quando o Ayrton Senna morreu, o Brasil parou literalmente para o povo chorar, evidenciando que em primeiro lugar nesse país era necessário deixar o povo resolver a empatia. Um povo que não fazia questão de contribuir para causas nobres. Um povo que já tinha chegado no nível de saber reconhecer, respeitar, admirar os melhores por conta do talento, do caráter. É isso aí! Pegaram questões sociais complexas, questões culturais conflituosas, existentes em países como EUA, França, e enfiaram goela abaixo do povo brasileiro que vinha pelo caminho privilegiando uma existência pacífica, lidando bem com a generosidade, irmandade, privilegiando bons valores, aceitando gradativamente as mudanças sociais importantes. Mas, não pegaram por conta própria, apenas deram sequência. Uma sequência liberada para ser imposta pelo governo paralelo (mídia). Pois, na transição da democracia para o socialismo ficou em evidência que precisava dividir o povo - o famoso NÓS CONTRA ELES que surgiu. E assumindo o governo, o Lula incentivou imediatamente, implantando, no primeiro dia, cotas para todas as minorias. Ou seja, uma forma fácil de detonar a meritocracia conhecida e aprovada pelo povo brasileiro.  

O NÓS CONTRA ELES é uma guerra social com questões imperceptíveis, complicadíssima de se resolver. Não há exército, interesse legítimo de espoliação, não há nem mesmo a ilusão de que um dia haverá o fim, podendo fazer quem está nessa guerra sentir a esperança. Um assunto tratado sistematicamente, em cima de uma sociedade que não o reconhece como comum na realidade, tende a gerar enlouquecimento, angústia, desespero. Como eu, milhares de brasileiros cresceram sem consciência de diferenciação de cor, de pensar em mulher como ser inferior, de fazer questão de saber orientação sexual do outro. Isso é uma guerra que provoca implosão social, produzida pelos próprios membros da sociedade. A “única” luz que aparece como tendo a solução para resolver o conflito social é o Estado. Eis a questão: O NÓS CONTRA ELES favoreceu demais a determinados grupos e indivíduos protegidos atrás do Estado, sendo possível ainda hoje escutar partindo de alguns que o compromisso de cuidar de tudo é do Estado. Esse Estado, que vai resolver todas as questões, precisa que cada indivíduo esteja individualizado, desconfiando de tudo e todos, acreditando em perseguições e, não bastando tanta coisa ruim, desesperançoso. Em outras palavras, o NÓS CONTRA ELES é promovido por um Estado que tem a necessidade de ter uma sociedade esquizofrênica. Quem é esse Estado?

terça-feira, 25 de abril de 2017

Empresas (BRASIL) -> parte necessária do corpo .-*-. reflexão sobre delações dos executivos da Odebrecht

Não me parece justo deixar de pontuar, nesse momento em que alguns empresários, executivos, tem recebido forte destaque por estarem mostrando o poder da corrupção, que "dar o sangue" pela empresa não é o mesmo que "vender a alma" [usando a empresa] para resolver distúrbios do Ego. Milhares de empresários doaram o sangue por sua empresa, outros tantos estão iniciando seu negócio e começando a doar - uma doação fantástica! Quantas pessoas estão nesse exato momento, por exemplo, se alimentando pela sorte de ter existido uma entrega profunda de alguém na fundação da empresa para qual trabalham? 
Eis a questão: Parece comum uma empresa ser objeto de amor e sexo (integrado) para o fundador, já quando é transferida para terceiros, herdeiros, em algumas parece acontecer a complicada cisão – por um corpo que chega prontinho, cama arrumadinha, o interesse desvia para a relação apenas com o sexo. No conto "As mil e uma noites", é possível perceber o resultado quando há "só sexo".

É isso aí! A corrupção, a meu ver, também pode ser comparada a um câncer na fase da metástase. Não está sendo fácil ver tantos lugares contaminados...
Cuidado com a voracidade! Cuidado com a vaidade! 

Pimenta não precisa ir na goela para ser sentida, na ponta da língua ela mostra a que veio. Sandra Valeriote

Que Deus abençoe a todos!



quarta-feira, 8 de março de 2017

He-Man e She-Ra (masculino e feminino)


He-Man (masculino): "Pelos poderes"
She-Ra (feminino): "Pela honra"
He-Man (masculino): "Eu tenho a força"
She-Ra (feminino): "Eu sou She-Ra"
He-Man (masculino): consegue o que precisa usando a ponta da espada
She-Ra (feminino): consegue o que precisa usando uma parte oval que há na espada
He-Man (masculino): no momento de pressão, que precisa resolver algum conflito, transforma seu amigo em uma fera considerando o lugar da sua natureza: chão
She-Ra (feminino): no momento de pressão, que precisa resolver algum conflito, transforma seu amigo em um ser alado 

Série de desenho animado (déc. 80)
País de origem: Estados Unidos 






segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Atendimento Social

A EPP possui um canal de Atendimento Social que visa levar a psicanálise à população que não consegue ter acesso a mesma.
O atendimento é realizado pelos alunos do último ano do Programa de Formação em Psicanálise e pode ser feito presencialmente (SP e Chácara Flora) ou on-line.
O Programa de Atendimento Social possui capacidade limitada, e a ordem de liberação depende da compatibilidade dos horários disponibilizados pelos analistas x interessados, bem como as modalidades – presencial ou on-line.


Quantos mais horários disponíveis mais chances de atendimento. 

As vagas são limitadas! Para se inscrever clique aqui 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Saber

Jamais o “Saber” foi, ou mesmo será, questionado por outro “Saber”. 
Quem questiona o "Saber" é o "Conflito".
 Sandra Valeriote
imagem: internet

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Trabalhando com a violência

Palestra do ciclo: A banalização do Mal, ensaios sobre fenômenos líquidos" da Escola Paulista de Psicanálise no auditório da Livraria Martins Fontes de São Paulo. Esse encontro foi sobre o tema "Trabalhando com a violência", com o delegado da polícia civil do Estado de São Paulo Dr. Leo Júnior. É importante observar que todos que trabalham, de uma forma ou outra, precisando se relacionar com o mundo interno do outro, destacam a importância dos pais na vida dos filhos. Palestras, como exemplo essa mesma do Dr. Leo Júnior, é de uma contribuição imensa para a sociedade. Paz e bem!

domingo, 14 de julho de 2013

Preconceito e diversidade sexual

Palestra do ciclo "A banalização do Mal, ensaios sobre fenômenos líquidos" da Escola Paulista de Psicanálise no auditório da Livraria Martins Fontes de São Paulo. Esse encontro foi sobre o "A parte obscura de nós mesmos", apresentado pela psicanalista Fernanda Nascimento. Esse tema também está relacionado com o projeto que já se encontra elaborado para ser trabalhado em 2014, pela Escola Paulista de Psicanálise. Informação: Instituto Sándor Ferenczi

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Banalização do Mal

Nessas últimas décadas podemos apontar como tendo sido grandioso o desenvolvimento tecnológico - que muito ajuda a humanidade no mundo externo. Mas, e o desenvolvimento humano? De que forma foi ajudado nessas últimas décadas? O espetacular desenvolvimento tecnológico está sendo suficiente para atender a sociedade contemporânea? Segundo o psicanalista, Alexandre Esclapes, o ser humano precisa de sentido para manter-se humano. O sentido da vida estando evoluindo apenas no mundo externo está devidamente compatível com a necessidade do mundo interno que cada um traz em si? Porque o grito individual, que se juntando a outras vozes, permanece evocando um mesmo desejo: paz? Aqui está uma série de palestras promovida pela Escola Paulista de Psicanálise, para esse ano de 2013, relacionada ao tema “banalização do mal”. Os discursos nos mostram o passado dizendo sobre o presente. Vale à pena assistir! Todos os encontros aconteceram na livraria Martins Fontes, em São Paulo. HOLOCAUSTO E SUBJETIVAÇÃO DO OUTRO, com a Dra. Karla Pinhel SOBREVIVENDO À DESUMANIZAÇÃO, com o psicanalista Alexandre Esclapes O MAL ESTAR NA CULTURA, com a psicanalista Vera Garcia A VIOLÊNCIA INVISÍVEL, com Monja Coen Roshi A PARTE OBSCURA DE NÓS MESMOS, com a psicanalista Fernanda Nascimento