Relato aqui uma parte, entre
outras, do que eu vi acontecendo no movimento político do final da década de 80
até a atualidade, envolvendo figuras de grande expressão política.
Final da década de 80.
O PT havia conquistado um
número vantajoso de filiados da sociedade civil para o partido. Parecia moda o
broche da estrelinha do PT pregado na roupa de cidadãos comuns. Mas, a moda da
estrelinha do PT sendo usada por cidadãos comuns era uma pequena vantagem
comparada a outra, que se deu na esfera do poder. O partido do PT já se
destacava também com um número expressivamente vantajoso de políticos eleitos
em todas as esferas: municipal, estadual, federal. Ou seja, havia político do
PT eleito em tudo quanto era canto desse país, trabalhando em redutos
eleitorais. Os redutos eram bem administrados por figuras políticas ou cidadãos
locais com bom nível de influência. Todos tinham como principal característica
a lealdade ao partido.
Então, nesse período já era
evidente que o partido também desejava conquistar o poder maior: a presidência
da República. Para essa conquista, todo investimento foi no Lula. Ora, em se
tratando da cúpula do PT, com José Dirceu, Genoino, Dilma, e outros, parece que a
biografia do Lula era menos complicada para maquiar. Pois bem! O partido do PT
já tinha um bom número de cidadãos civis filiados, número expressivamente
elevado de políticos eleitos, alianças com partidos importantes acontecendo.
Mas, eis uma questão que parecia ser um calo no pé do partido muito difícil de
resolver: o Lula, sendo a única figura com possibilidade para ser o candidato
que poderia conquistar a presidência da República, evidenciava grande talento
para desempenhar o papel de líder sindical. Era um talento que encantava sindicalistas,
e abocanhava uma parte da sociedade jamais suficiente para conquistar a
vitória. Os discursos dele revelavam agressividade, evidências de que não tinha
habilidade para diálogos, que não estava nem aí se precisasse derrubar tudo
pela frente. No mais, do ponto de vista da estética, o Lula aparecia vestido
informalmente, com uma barba que parecia não ter cuidados higiênicos. Eram
questões que podiam não interferir para uma eleição de presidente de sindicato,
vereador ou deputado, mas para presidente da República a realidade era outra,
que evidentemente não combinava com os discursos e a aparência que ele
apresentava. Pois bem! Eis que surge um momento mágico. Pode acreditar! Não foi
apenas no conto da Cinderela que existiu uma varinha mágica; no conto do Lula
também aconteceu: com a "varinha mágica do marketing", eis que
o Lula apareceu para a disputa da eleição em 2002, não mais como um sapo
barbudo que parecia que ia engolir tudo e todos. O Lula tinha se transformado
num príncipe encantador: todo bem arrumadinho, falando de forma correta, com
muita calma, um sorriso de galã de novela; até a barba dele parecia ter
recebido tratamento de hidratação. É isso! Sob um passe de mágica (marketing),
o Lula agressivo se transformou no Lulinha paz e amor: encantou e ganhou.
Numa democracia, o povo (a
maioria) não consegue eleger um presidente que simboliza o oposto da
experiência de vida real. Dentre as proeminentes características que podem ser
destacadas como existentes na sociedade, no período em que o Lula
concorria à presidência da República, aparecia como realidade no Brasil a
alegria, a simpatia, a gentileza, a compaixão, a expectativa do desenvolvimento
(esperança), a paz. Em outras palavras, o que era oposto ao povo aparecia
evidentemente no Lula. Quando ele conseguiu teatralizar exatamente a realidade
que o povo conhecia, foi aceito e eleito. Podemos dizer que a aceitação partiu
de uma sensação coletiva de segurança e confiança de que aquela realidade
estaria sendo preservada. Não precisava desconstruir nada, bastava preservar o
que existia e seguir com a excelente condição financeira para realizar
grandes conquistas... Pois é! O Lula conseguiu deixar em evidência que havia se
transformado, que também tinha entrado no caminho conhecido por todos... Mas,
não era a verdade. Sinceramente, se fosse coisa de cinema, o marqueteiro Duda
Mendonça e o Lula, sem sombra de dúvida, destacariam-se no ganho de premiações.
Quem sabe as gerações futuras não verão esse ganho por parte dos atores que
conquistarem o papel para interpretá-los!
Bem, para nossa geração, o
que existe é a experiência com a realidade atual. E, atualmente, todos já sabem
que a mágica não perpetuou... Mas, convenhamos, é essa a realidade da mágica.
Mágica é só mágica! O príncipe Lula não podia durar para sempre... Mas é
preciso evidenciar que os
caminhos conhecidos oferecem conforto, segurança. Acontece que no decorrer do
governo do PT, também a sociedade brasileira foi sendo desviada dos seus
caminhos conhecidos. E não parece justo apontar que esse desvio foi da responsabilidade
apenas do PT-Lula. A questão é que parece que a cúpula do PT ficou totalmente
focada em “um” ideal, e por esse ideal teve a necessidade de se deslocar para o
lugar da discrição. Pois é! A impressão é que o PT, precisando ser visto
pelo povo apenas a cada 4 anos, acabou deixando espaço para existir um governo
paralelo. Dessa forma, com o partido vivendo na sombra, há anos a sociedade
civil vinha identificando como governo os principais meios de comunicação – um
governo formado pela mídia. Há anos, esse governo (mídia) vinha passando por
cima da cultura brasileira, dos valores conhecidos pelos brasileiros, numa
evidente tentativa de formar aqui um outro povo, sabe-se lá copiado de onde. Pode
ser dos EUA ou da França; do Afeganistão pode ter certeza que nada foi
copiado. Então, temas conflituosos em outros países, que não existiam no
Brasil, passaram a ser tratados no país como realidade também do povo
brasileiro. Por acaso, no Brasil, há registros de grupos atuantes semelhantes
ao Ku Klux Klan?
Então, como a liderança
política do PT precisou ficar na sombra, realizando suas grandiosas jogadas de
corrupção para servir ao comunismo, não deixando de agradar o socialismo (outra
situação que parece servir para um filme: comunismo com socialismo vivendo uma
linda história de amor no Brasil. Talvez, no futuro também podem fazer um filme
dessa linda história de amor que parece ter superado a de Romeu e Julieta, do Shakespeare.
Como tema musical, Endless Love, do Lionel Richie e Diana Ross, será perfeito. Ah! Para esse filme os atores principais precisarão interpretar o Lula e FHC), quem
se destacou como governo, para o povo, foram os principais meios de
comunicação. Há anos, aparece nitidamente destacado o repúdio
do povo brasileiro contra os principais meios de comunicação. Um repúdio
ignorado. Para entender melhor, eis um
exemplo para servir como comparativo: Um indivíduo tem uma fábrica de sapatos. Surge um crescimento
expressivo de consumidores se queixando dos produtos. O que o fabricante faz?
Ignora as queixas e continua com a fabricação no mesmo jeito. Não aceita ceder,
não considera o excesso de queixas. Bem, com essa decisão do fabricante é muito
fácil saber qual será o final da sua fábrica... Pois é! O público [consumidor] dos principais meios de
comunicação vem, durante anos, excessivamente apresentando queixas, e a
fabricação dos conteúdos jamais deixou de ser a mesma.
Período atual
A situação se inverteu. O
que havia no Lula, quando ele tentava se eleger para presidente da República
(antes na varinha mágica (marketing)), passou a existir no povo. As
características mudaram. Atualmente, entre as proeminentes características
possíveis de observar no povo brasileiro estão a grosseria, a antipatia, a
maldade, a desarmonia, a agressividade.
O presidente Bolsonaro não
surgiu do nada e gerou um conflito social, aliado a uma força tarefa para haver
retrocesso. O conflito social, que esteve aparentemente nítido durante anos,
fez surgir o Bolsonaro. O povo vem brigando com a mídia há anos – esse povo nem
fazia ideia da existência do Bolsonaro. A impressão é que as queixas do povo iam
em direção ao nada e ficavam guardadas no lugar nenhum.
No período da eleição, com as
principais lideranças políticas, juntamente com os principais meios de
comunicação, evidenciando não estarem entendendo o que estava acontecendo no
Brasil, em relação a ascensão do Bolsonaro, muitas vezes, para mim, era difícil
acreditar que eles realmente não estivessem entendendo. Era difícil, pois,
acreditar que realmente não estivessem entendendo confirmava que eles estiveram
durante anos vivendo em outro mundo que não o Brasil. Realmente, as queixas do
povo foram ignoradas pelos que estavam governando. E, sinceramente, a voz do
povo ignorada [durante anos] ecoou alta na voz do candidato que foi
“democraticamente” eleito para presidente da República, Jair Messias Bolsonaro.
Nos discursos do Bolsonaro
havia a simplicidade de apenas repetir as queixas que o povo fazia durante
anos. Não teve mistério algum para os que estavam vendo a realidade do
Brasil! O Bolsonaro não era isso, aquilo, ou aquilo outro de ruim que afirmavam
para tentar derrubá-lo da ascensão, ele foi simplesmente a voz do povo falando
em alto e bom som. E falando uma realidade que esteve durante anos sob a luz do
sol.
Pois é! Ao contrário do Lula
- que para ganhar a eleição precisou desconstruir os discursos agressivos e
maquiar sua essência, evidenciando que a maioria do povo se identificava com a
paz - o Bolsonaro só ganhou a eleição por conta de construir discursos
agressivos, nesse caso, evidenciando que, atualmente, o povo está vivendo
sérios conflitos emocionais.
No momento atual, o ataque que
se vê contra o presidente Bolsonaro se torna um ataque que vai direto contra o
povo que foi ignorado durante anos. Um povo que evidencia estar absurdamente
carente da sua essência, natureza, angustiado pela falta do direito de viver a
sua própria realidade humana, cultural. Um povo que teve orgulho de ter como
herói nacional o Pelé, sem jamais apontar para a cor de pele. Uma povo que teve
uma geração expressiva de jovens que curtia as músicas do Cazuza, que sofreu
pela situação que ele precisou enfrentar, sem jamais apontar dedo para questão
de sexualidade. Um povo que aplaudia a força, coragem e inteligência da Tieta do Agreste (novela,
Tieta), da viúva Porcina (novela, Roque Santeiro), que torcia por elas,
independente do que faziam ou não, evidenciando claramente não ter a mulher
como ser inferior, proibidas de viver a vida como quisessem. Um povo que
delirava com a bandeira do Brasil que o corredor da fórmula 1, Ayrton Senna,
colocava para fora do carro a cada vitória. Quando o Ayrton Senna morreu, o
Brasil parou literalmente para o povo chorar, evidenciando que em primeiro
lugar nesse país era necessário deixar o povo resolver a empatia. Um povo que
não fazia questão de contribuir para causas nobres. Um povo que já tinha
chegado no nível de saber reconhecer, respeitar, admirar os melhores por conta
do talento, do caráter. É isso aí! Pegaram questões sociais complexas, questões
culturais conflituosas, existentes em países como EUA, França, e enfiaram goela
abaixo do povo brasileiro que vinha pelo caminho privilegiando uma existência
pacífica, lidando bem com a generosidade, irmandade, privilegiando bons valores,
aceitando gradativamente as mudanças sociais importantes. Mas, não pegaram por
conta própria, apenas deram sequência. Uma sequência liberada para ser imposta
pelo governo paralelo (mídia). Pois, na
transição da democracia para o socialismo ficou em evidência que precisava
dividir o povo - o famoso NÓS CONTRA ELES que surgiu. E assumindo o governo, o
Lula incentivou imediatamente, implantando, no primeiro dia, cotas para
todas as minorias. Ou seja, uma forma fácil de detonar a meritocracia conhecida
e aprovada pelo povo brasileiro.
O NÓS CONTRA ELES é uma guerra
social com questões imperceptíveis, complicadíssima de se resolver. Não há
exército, interesse legítimo de espoliação, não há nem mesmo a ilusão de que um
dia haverá o fim, podendo fazer quem está nessa guerra sentir a esperança. Um
assunto tratado sistematicamente, em cima de uma sociedade que não o reconhece
como comum na realidade, tende a gerar enlouquecimento, angústia, desespero. Como
eu, milhares de brasileiros cresceram sem consciência de diferenciação de cor,
de pensar em mulher como ser inferior, de fazer questão de saber orientação
sexual do outro. Isso é uma guerra que provoca implosão social, produzida pelos
próprios membros da sociedade. A “única” luz que aparece como tendo a solução
para resolver o conflito social é o Estado. Eis a questão: O NÓS CONTRA ELES
favoreceu demais a determinados grupos e indivíduos protegidos atrás do Estado,
sendo possível ainda hoje escutar partindo de alguns que o compromisso de
cuidar de tudo é do Estado. Esse Estado, que vai resolver todas as questões,
precisa que cada indivíduo esteja individualizado, desconfiando de tudo e
todos, acreditando em perseguições e, não bastando tanta coisa ruim, desesperançoso.
Em outras palavras, o NÓS CONTRA ELES é promovido por um Estado que tem a
necessidade de ter uma sociedade esquizofrênica. Quem é esse Estado?
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