Parece muito comum reclamação com as vendas pelo
telemarketing. Então, nessa atividade temos de um lado uma pessoa precisando
vender um produto, e do outro uma pessoa geralmente ocupada que atendeu o
telefone e ao perceber que é de telemarketing começa a pensar numa mentira para
dizer assim que o vendedor parar um instantinho para poder respirar. Eis a
questão: parece que o telemarketing acabou se transformando também em um mecanismo
desenvolvedor de mentira; quando o vendedor não consegue perceber o limite
acaba provocando desconforto, levando a pessoa a ter que ser, em algumas vezes,
até desagradável. Bem, os dois lados perdem: o vendedor não consegue vender o
produto - podendo ser até mal tratado, e quem atendeu o telefonema precisa digerir
a mentira, desconforto.
Pois bem! A impressão é que passa despercebido pelas
empresas, que trabalham com o telemarketing, a realidade da diferença cultural
do nosso país: com cada região tendo a sua natureza.
Vou deixar aqui um exemplo de resultado positivo de telemarketing
que aconteceu comigo. Detalhe: foi apenas esse.
Estava arrumando a minha casa à noite quando o telefone fixo
tocou. Ao atender, a mulher do outro lado começou a falar de um jeito como se
fossemos amigas de infância.
Ela: “Oi, tudo bem? Aqui quem tá falando é xxx. Eu sou da Oi,
a gente pode conversar um cadinho?” Nesse cadinho de conversa, falamos do lugar
que cada uma morava, conversamos sobre Cabo Frio-RJ, o litoral do Espírito Santo
(lugares para onde a mineirada vai no verão). Bem, eis que no papo vai, papo
vem, escutei gritos no lugar onde ela estava. Aí ela disse que não era para
reparar a gritaria, pois se devia ao fato de estarem comemorando por terem "batido
a meta". Simplesmente respondi: “Então ultrapassa essa meta. Pode fechar o
negócio aí pra mim também”. O “fechar o negócio” significa que eu estava
aceitando o que a empresa estava oferecendo.
Então, todos os outros telefonemas que recebi [de
telemarketing] sempre vieram de regiões que não conversam com quem eu sou. E uma
coisa é conviver tranquilamente com as diferenças culturais no aspecto social,
outra é uma empresa entrar em contato para vender um produto evidenciando ser
ela o próprio objeto de interesse. É um trem complicado!
Enfim, nesse trem complicado a gente também tem trem bão: Aceita um cafezin? Eu passei agora... tá fresquin, fresquin.
Nenhum comentário:
Postar um comentário