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sábado, 5 de janeiro de 2019

Verdades e Mentiras

Na minha infância, no colégio, lembro da professora fazendo a seguinte brincadeirinha com a turma. Ela escolheu uma fila e contou algo no ouvido do aluno que estava sentado na primeira carteira. O aluno teria que passar o que escutou da mesma forma para o segundo (contando baixinho no ouvido), e assim sucessivamente até chegar no último. O último contaria o que escutou para toda a turma. Quando [o algo] foi contado, toda a fila que participou da brincadeirinha caiu na gargalhada pela questão do sentido ter se transformado radicalmente. Não tenho na lembrança o que a professora escolheu para contar, mas seria algo como: ao primeiro aluno ela teria contado que “a avó havia feito uma torta de maça deliciosa”, quando o último contou o que havia sido dito ao primeiro apareceu que “a tia tinha jogado fora uma manga estragada”. A projeção da gargalhada teve seu efeito: a partir dos alunos que estavam na tal fila gargalhando toda a turma caiu na gargalhada também. Pois bem! Assim que a turma se acalmou, a professora deu a lição: Cuidado com o que escutam! Entre a origem e o destino há um caminho que pode transformar a verdade. As palavras e pontuações também tem o poder de causar sérias mudanças, tanto quanto podem causar, por vezes, grandes prejuízos...

Hoje, vejo essa situação como uma prática [demasiadamente] comum na realidade da vida. Verdades sendo transformadas - até mesmo por quem deveria ter sério compromisso com ela. Parece que essa prática encontra-se em um nível elevado de dificuldade para resolver devido a agilidade da informação que surgiu com a internet, como o tempo escasso para uma busca do que realmente é a verdade. Infelizmente isso fomenta o ódio, descrença, isolamento. Quando o indivíduo passa a lidar apenas com sentimentos extremamente difíceis, acaba entrando no risco de ficar sem o seu autopoder. Isso pode deixá-lo entregue a quem tem interesse de conduzi-lo como bem entender... Se pensarmos esse indivíduo como sociedade, podemos levar em consideração milhões de seres humanos sem autopoder sendo conduzidos facilmente... Uma manipulação perversa que, obviamente, não é interrompida por quem comete dado a experiência contínua do gozo, lucro.


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