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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Srª Ministra Damares Alves.


Com um número expressivo de intenções em colocar sob grande destaque a Srª Ministra Damares Alves, acabei entrando em uma reflexão sobre ela.
Assistindo tudo que ela tem apresentado, após assumir a função de Ministra, encontrei informações que me fizeram recordar uma leitura muito especial que fiz anos atrás. Antes de escrever a reflexão sobre ela, deixo a leitura:
“...Hoje entendo bem o meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é, que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. (Amyr Klink)
Li essas palavras do Amyr Klink anos atrás, mas o tempo distante da leitura não me fez esquecer a sensação maravilhosa que tive. Ao concluir essa leitura, com perfeição lembro a sensação. Parecia que eu estava ganhando um presente extremamente valioso - algo que se estivesse à venda eu não teria recurso financeiro para comprar. 
Por que, afinal de contas, a Srª Ministra Damares Alves fez ressurgir essa leitura dentro de mim? Vou começar com a questão polêmica do recorte que fizeram no primeiro discurso que ela realizou como ministra. Recortaram a fala de “menino veste azul e menina veste rosa”, e em cima desse recorte parece ter existido intenção de transmitir a existência de uma possível ameaça de retrocesso. Bem, para ocorrer retrocesso a fala precisaria ser sobre algo que não existe mais na realidade. Só um exemplo (entre vários outros possíveis de pontuar) de que “menino veste azul e menina veste rosa” - que vem sendo muito praticado atualmente -, está na invenção atual dos casais em realizar também o evento chá revelação: se aparecer azul é menino, se aparecer rosa é menina. Pois é! Essa cultura do azul e rosa para definir menino e menina não foi extinta no período de Lampião e Maria Bonita. Essa cultura está na realidade – se está na realidade e estão afirmando ser retrocesso, as palavras do Amyr Klink serve como grande ajuda: “Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é, que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.
No mais, em relação ao discurso sem recorte, realizado pela Srª Ministra Damares Alves, é possível perceber claramente que ela viveu como aluna, que ela viu com seus próprios olhos a realidade sangrando em cima de uma sociedade vivendo há anos sob governo de discursos legalizados. Aliás, por mencionar esse governo de discursos legalizados, acabei lembrando do relato de uma moça dias atrás. A moça estava dentro de um ônibus. Sentado ao lado dela estava um indivíduo que resolveu colocar o pênis para fora e se masturbar. Ela ficou revoltada diante da situação, começou a discutir em voz alta. Bem, no relato tive a impressão que a situação da masturbação acabou ficando menor em relação ao choque que ela teve ao perceber a indiferença em todos que estavam dentro do ônibus. Não houve nenhuma ação de ajuda para a moça. E isso pareceu ter feito ela sentir um estado de confusão por estar enfrentando uma realidade solitária tendo em vista a existência de uma vida coletiva na internet - onde governa os discursos legalizados. Está em evidência que a Srª Ministra Damares Alves tem o conhecimento sobre essa realidade, como muitas outras que já se encontram em nível alto de complexidade.
Refletindo aqui sobre a srª Ministra Damares Alves, acabei vendo surgir outra publicação sobre ela. Parece mesmo existir intenção de colocá-la sob grande destaque (polêmico). Coisas que estavam vindo na reflexão deram lugar ao que veio: sequestro. Pois é! A publicação traz a palavra sequestro. Parece importante levar em consideração que algumas palavras pesam toneladas. Então, pelo que pude perceber, a srª Ministra Damares Alves sempre foi uma figura pública, com atuação expressiva em ações sociais, o que mudou foi apenas a chegada de um título – o título de ministra. Tendo ela sempre estado nesse universo de figuras públicas, próxima de pessoas de valor significativo, influentes: colocar a palavra sequestro significa uma afirmação que no Brasil não há inteligência?

*foto: google

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