Com um número expressivo de intenções em colocar sob grande destaque
a Srª Ministra Damares Alves, acabei entrando em uma reflexão sobre ela.
Assistindo tudo que ela tem apresentado, após assumir a
função de Ministra, encontrei informações que me fizeram recordar uma leitura
muito especial que fiz anos atrás. Antes de escrever a reflexão sobre
ela, deixo a leitura:
“...Hoje entendo bem o meu pai. Um homem precisa viajar. Por
sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por
si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as
suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do
calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o
próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar
essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente
como é, que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos
ser alunos, e simplesmente ir ver”. (Amyr Klink)
Li essas palavras do Amyr Klink anos atrás, mas o tempo
distante da leitura não me fez esquecer a sensação maravilhosa que tive. Ao concluir
essa leitura, com perfeição lembro a sensação. Parecia que eu estava ganhando um
presente extremamente valioso - algo que se estivesse à venda eu não teria
recurso financeiro para comprar.
Por que, afinal de contas, a Srª Ministra Damares Alves fez
ressurgir essa leitura dentro de mim? Vou começar com a questão polêmica do
recorte que fizeram no primeiro discurso que ela realizou como ministra. Recortaram
a fala de “menino veste azul e menina veste rosa”, e em cima desse recorte parece ter existido intenção de transmitir a existência de uma possível ameaça de retrocesso. Bem, para ocorrer retrocesso a fala
precisaria ser sobre algo que não existe mais na realidade. Só um exemplo
(entre vários outros possíveis de pontuar) de que “menino veste azul e menina
veste rosa” - que vem sendo muito praticado atualmente -, está na invenção atual dos casais em realizar também o evento chá revelação: se aparecer azul é menino, se
aparecer rosa é menina. Pois é! Essa cultura do azul e rosa para definir menino e menina não foi extinta no período de Lampião e
Maria Bonita. Essa cultura está na realidade – se está na realidade e estão
afirmando ser retrocesso, as palavras do Amyr Klink serve como grande ajuda: “Um
homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância
que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é, que nos
faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e
simplesmente ir ver”.
No mais, em relação ao discurso sem recorte, realizado pela
Srª Ministra Damares Alves, é possível perceber claramente que ela viveu como
aluna, que ela viu com seus próprios olhos a realidade sangrando em cima de uma
sociedade vivendo há anos sob governo de discursos legalizados. Aliás, por
mencionar esse governo de discursos legalizados, acabei lembrando do relato de
uma moça dias atrás. A moça estava dentro de um ônibus. Sentado ao lado dela
estava um indivíduo que resolveu colocar o pênis para fora e se masturbar. Ela
ficou revoltada diante da situação, começou a discutir em voz alta. Bem, no
relato tive a impressão que a situação da masturbação acabou ficando menor em
relação ao choque que ela teve ao perceber a indiferença em todos que estavam
dentro do ônibus. Não houve nenhuma ação de ajuda para a moça. E isso pareceu
ter feito ela sentir um estado de confusão por estar enfrentando uma realidade
solitária tendo em vista a existência de uma vida coletiva na internet - onde governa os discursos legalizados. Está em
evidência que a Srª Ministra Damares Alves tem o conhecimento sobre essa
realidade, como muitas outras que já se encontram em nível alto de complexidade.
Refletindo aqui sobre a srª Ministra Damares Alves, acabei
vendo surgir outra publicação sobre ela. Parece mesmo existir intenção de colocá-la
sob grande destaque (polêmico). Coisas que estavam vindo na reflexão deram lugar ao que veio: sequestro. Pois é! A publicação traz a palavra sequestro. Parece
importante levar em consideração que algumas palavras pesam toneladas. Então,
pelo que pude perceber, a srª Ministra Damares Alves sempre foi uma figura pública,
com atuação expressiva em ações sociais, o que mudou foi apenas a chegada de um
título – o título de ministra. Tendo ela sempre estado nesse universo de
figuras públicas, próxima de pessoas de valor significativo, influentes: colocar a palavra
sequestro significa uma afirmação que no Brasil não há inteligência?
*foto: google

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