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domingo, 10 de junho de 2018

Início da internet (Fake News, os políticos e a imprensa. William Waack comenta)

Tenho 46 anos. Com essa idade, é possível a percepção de que eu sou da geração que lidou com o surgimento do celular, internet, e tudo mais que veio após – num ritmo de evolução acelerado. Pois é! É uma realidade absurdamente diferente da do meu netinho, que hoje com 3 aninhos já sabe mexer em celular melhor do que eu.
Pois bem! No período que iniciou o uso dessas ferramentas tecnológicas, por ser cidadã do interior, houve um espaço de tempo maior para ter o acesso. Ou seja, os habitantes das capitais lidaram primeiro com o advento tecnológico. Então, já usando o celular, mas sem fazer a mínima ideia de que tinha iniciado também a internet, certa vez, conversando por telefone com um vendedor em SP (capital) escutei: “Eu te mando por e-mail.” Levei um susto! Respondi: “O que é isso?” Aí fiquei sabendo que isso era algo chamado internet. Como seria antes, de acordo com a realidade sob a qual cresci conhecendo? A pessoa diria: “eu te mando por correio”, ou, “eu te mando por fax”.
Ok! Pela necessidade, também passei a conviver com essa ferramenta de comunicação e informação. Eis a questão: a forma como podia ter acesso a internet era através de ligação – que a cada minuto de uso eu pagava a operadora de telefonia fixa o valor de uma ligação interurbana. Sinceramente, cada vez que precisava acessar a internet ficava contando os minutos no reloginho que fica no computador, pois para mim dinheiro nunca caiu do céu. Bem, eu sei é que passando a usar internet para também ter o tal e-mail, não demorou muito para surgir outra dúvida. Eis que já tendo meu endereço de e-mail recebi um assunto em que a pessoa escreveu: “vou ficar no webmail aguardando sua resposta”. Quando li isso, não entendi bulhufas. Chamei um técnico de informática, mostrei o assunto no e-mail, e disse: “Essa pessoa está aguardando minha resposta dentro desse lugar chamado webmail. Eu preciso mandar a resposta pra ela. Que lugar é esse?” O técnico me respondeu que o único webmail que ele conhecia era o e-mail. Ufa! Como foi difícil para mim entender... Essas situações estão na lista de inúmeras outras que precisei lidar com a dúvida em razão da novidade chamada internet – a qual tive necessidade de me submeter (refiro-me a necessidade, pois quando é questão de desejo eu posso decidir, controlar). Um detalhe para esse mundo atual que parece ter formado uma consciência do saber tudo: eu não tive o privilégio de nascer sabendo tudo. Por conta disso, nessa realidade com contínuas mudanças, mais o que me é necessário em relação a trabalho, todo santo dia continuo aprendendo algo novo - que no dia anterior eu não sabia.
Então, retornando ao período inicial da internet. Como se não bastasse a enorme dedicação para aprender o que me era novo, o sofrimento por ter que pagar caro pelo acesso, eis que vi surgir também aborrecimento com o tal do compartilhamento.
O que percebi é que pela abertura para a comunicação com um público maior, sem a necessidade de lidar com o limite (imposto diante da pessoa física), não precisando enfrentar a dificuldade de lidar diretamente com a emoção pela questão da sensação de distância, eis que a minha caixa de e-mail (que nessa altura eu já tinha o conhecimento que também podia ser chamada de webmail) recebia direto inúmeras correntes, PPS´s, vídeos, e no etc e tal de chatices apareciam também “notícias falsas”. Pois é! Na atualidade, autoridades podem promover o “Fake News” para ocultarem a incompetência de não terem resolvido a situação crítica no início. Para melhor entendimento, basta escutar o que disse o jornalista William Waack: “Fake News é um nome novo pra coisa velha...” E que tal um resumo dessa ópera? Talvez podemos dizer que "Fake News" é realmente um nome novo para fazer o público jovem e os desatentos da minha geração acreditarem ser mais uma coisa nova. Mas a realidade? A realidade mesmo? É que não é!
A propósito, lembro de uma conversa por e-mail que tive com um amigo, no período inicial desse meio de comunicação (internet), sobre essa situação de "notícias falsas":  
Recebia de várias pessoas conhecidas vários e-mails com "notícias falsas". Fazia o quê? Pelo enorme compromisso sobre a minha “cacunda”, lia e apagava aquelas porcarias! Só que certa vez recebi um e-mail com “notícia falsa” de um amigo que eu sabia ter uma caráter muito sério, que era uma pessoa voltada para o bem, podendo ser considerada bacana. Não resisti em esclarecer a situação... Respondi o e-mail solicitando a fonte, dizendo a ele que não havia conseguido encontrar. Ele me respondeu que não tinha fonte. Simplesmente recebeu o e-mail e encaminhou para todos da sua lista de contato. Aí respondi, ao ataque que vi ocorrendo com uma empresa cujo produto alcançou expressivo sucesso no mercado consumidor: “Imagina quantas pessoas deixarão de consumir esse produto ao lerem essa "notícia falsa"? Imagina o que o dono dessa empresa deve ter suportado de complicado nessa vida para conseguir chegar onde chegou? É justo com ele? É justo com todas as famílias que estão tendo sua renda através da venda desse produto?” Ele me respondeu: “Eu não tinha pensado nisso! Foi errado o que fiz!” Pois é! Esse “errado o que fiz” acontecia direto - se tornando comum. Inúmeras vezes era compartilhado pelos que tinham e-mail "notícias falsas" com dezenas de outros e-mails. Dezenas que compartilhavam com outras dezenas, e assim sucessivamente. Alguns não enviavam o compartilhamento no “cópia oculta”, ou seja, os endereços de e-mails apareciam no “para” ou “cópia” dando pra contar o número de pessoas que haviam recebido a “notícia falsa”. Era só usar nossa ferramenta natural, que tem o nome de consciência: se 10% dos que recebiam o e-mail com "notícia falsa" compartilhavam, e 10% dos que recebiam desses 10% compartilhavam também, e 10% seguiam no mesmo comportamento... Seria possível contar o número de pessoas que tinham lido aquela "notícia falsa" em um só dia? Que prejuízo isso podia causar para pessoas que não fizeram outra coisa nessa vida a não ser deixarem de lado suas próprias dores para enfrentarem inúmeros desgastes na tentativa de conquistar algum benefício não apenas para si e sua família, mas também para outros? O grande esforço, extrema dedicação, de comerciantes, empresários, industriais, todos sabem, acaba privilegiando também cidade, estado, país.
Pois é! No período em questão, as "notícias falsas" eram vorazmente voltadas para produtos de empresas que já tinham alcançado sucesso. Mas que importância tinha o “pão que o diabo amassou com o rabo” comido por quem suportou na vida enfrentar duros desafios para ter seu próprio negócio? Vamos ser realistas, não havia necessidade de QI privilegiado, inteligência sofisticada, para perceber que o mal que estava nascendo ia crescer. Bastava apenas ter dentro de si ingredientes que mantém a sobrevivência da espécie humana: compromisso com a vida, empatia, reconhecimento, ética na interdependência, compaixão.

Fake News? Com todo respeito a língua que conquistou a posição universal, aqui é o Brasil. Temos como idioma a língua portuguesa (que aliás, cá entre nós, tem uma riqueza difícil de alcançar). No Brasil, o que estamos tendo são "notícias falsas" que vem causando transtornos, prejuízos, desde o período inicial da internet. E-mail é coisa do passado? Queridos(as), tudo que vi no período do contato só por e-mail, estou vendo acontecer nesse período do Whatsapp. O que está parecendo diferente atualmente é que sob o gigantismo da evolução tecnológica o ciclo da vida humana pode ter entrado em um estado de involução. 
Deus abençoe a todos!

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